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Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre se une ao Projeto Pescar no atendimento aos jovens e seus familiares

A ansiedade, medos e preocupações da adolescência aliados a passagem para a vida adulta e a competição que irão enfrentar no mercado de trabalho são vencidos em duas Unidades da Rede Pescar, com o apoio da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre – SPPA. A parceria iniciou em 2012 e, neste ano, beneficiou jovens e familiares da Unicred Porto Alegre e da Zensul.

A ideia, conta Elisabeth Cimenti, surgiu a partir da proposta da entidade de atender pais e adolescentes da comunidade. “Como psicanalistas e cidadãos nos demos conta de que tínhamos muitos instrumentos para ajudar este público a entender melhor seus sentimentos e a se relacionarem de uma forma mais saudável com a própria realidade”, conta.869ab52d-cdcc-40b5-9c60-23045d9e940f

Marcelo Garcia Vaz, diz que o espaço construído para eles poderem falar sobre o que estão sentindo e como estão se relacionando no ambiente de formação profissional e até com as famílias tem uma recepção muito positiva dos jovens: “O adolescente entra no Projeto Pescar e passa a conviver com pessoas que até então não conhecia. Tem diante de si novas normas, condutas e precisa se sentir livre para falar sobre isto, expressar seus pensamentos. Na psicanálise a gente já entende que isto dá um alivio, prevenindo futuros conflitos e sofrimentos psicológicos. ”

O trabalho é construído ano a ano. “Nos reunimos, discutimos nossas ações com toda a equipe e vamos reformulando a prática. Nem sempre temos uma resposta, mas o bacana é que eles aproveitam muito, assim como os familiares e nos revelem os conflitos vividos, as angústias e as dificuldades, o que nos faz perceber que se cada um de nós der um pouquinho podemos fazer a diferença ”, explica Heloisa Cunha Tonetto.

Ao mesmo tempo, a coragem dos adolescentes para enfrentarem a dura realidade do cotidiano é uma lição de vida para o grupo de psicanalistas. A educadora social Nara Cecília Lopes dos Santos comemora a parceria, pois antes encontrava dificuldade em aprofundar temas sensíveis aos jovens como a situação socioeconômica das famílias: “O jovem não conta tudo. Como ele vai dizer para alguém que vai indicá-lo para o mercado de trabalho e para o grupo que agora  está inserido que têm deficiências ou as suas reais dificuldades. Eles acham que devem mostrar só as qualidades. Então neste espaço o grupo desabafa e consegue seguir com mais tranquilidade. ”DSC_0584

Os psicanalistas se reúnem em um grupo com os jovens e em outro com as suas famílias, uma vez por mês. A dinâmica aproxima as famílias do Projeto Pescar.  Alex dos Santos, pai do Guilherme Figueredo dos Santos, agradece o crescimento e o desenvolvimento do filho: “Ele começou a ter outros conhecimentos, a se relacionar melhor com os amigos, a trabalhar em grupo, a ter mais responsabilidade. Cada um tem um conhecimento e o conhecimento de cada um preencheu o outro. Só tenho a agradecer tudo que meu filho aprendeu e que cada vez mais outras pessoas e empresas possam apoiar e ampliar este trabalho, que é maravilhoso. ”

Participam do grupo de psicanalistas: Marcelo Garcia Vaz, Ivani Teresinha Bressan Valentini, Maria Elisabeth Cimenti, Heloisa Cunha Tonetto, Magali Fischer, Josênia Heck Munhoz, Leonor d’Avila Brandão, Susana Iankilevich Golbert e Luciana Aranha Secco