Jovens das Unidades Consolação e Fisa têm prosa e verso publicados em livro do Fogap

A Superintendência Regional do Ministério do Trabalho do Rio Grande do Sul, o Ministério Público do Trabalho da 4ª Região, o Fórum Gaúcho da Aprendizagem e o Fórum de Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente publicaram um livro com os trabalhos dos jovens participantes dos concursos de prosa, verso e imagem e do Fogap da Canção Gaúcha.

Na publicação, destaque para o trabalho de dois jovens do Projeto Pescar, moradores de Caxias do Sul/RS, e participantes de cursos socioprofissionalizantes nas Unidades Consolação e FISA. Confira:

UM SONHO DE SER CRIANÇA
Deivid Antonio Rosa da Costa – 17 anos
Unidade Projeto Pescar Consolação

Trabalho infantil: uma história que vem de longe.
Seria uma forma de violência? Talvez a mais cruel delas?
A violência rouba o que a criança tem de mais precioso. O direito de ser de viver como criança, o olhar triste de humilhação e de vergonha de nossas crianças vítimas do trabalho infantil, clama por justiça, por uma ajuda que demora a chegar, por uma palavra de amor e carinho.
Parece óbvio que crianças sofrem sem receber qualquer ajuda, sem receber um pedaço de pão. Qual o sentido da vida se não fazemos o que é necessário para o futuro do mundo ou pelo menos o futuro de crianças abusadas diariamente, não apenas como mão de obra, mas também para o prazer de um ser humano sem coração.
Tem coisas que não voltam atrás, assim como “um minuto”. Em um minuto, muitas coisas acontecem, uma flor pode perder as suas pétalas, uma história pode chegar ao fim e uma lágrima pode cair e afastar um sorriso. Em vários momentos, um minuto pode parecer pouco, mas para quem tem sede de justiça, um minuto é o sofrimento de uma eternidade.
“Eternidade”é a palavra que define a dor por não ser amado.
Um minuto é tudo que preciso para realizar um sonho, sonho de ser livre, de ser amado, de ser criança.

REALIDADE CONTURBADA
Lucas Antônio Nissola Erdmann – 18 anos
Unidade Projeto Pescar FISA

Vamos falar hoje, da menina Juliete
Trabalha pros adultos igual marionete
e aqui na rima eu falo insanidade
Só que o povo brasileiro não curte a verdade
Enquanto crianças jogam bola de pé no chão
No semáforo eu faço malabares de pés descalços
Se minha infância deveria ser empinar pipa e jogar taco
Por que eu me criei juntando tabaco?
Se sobreviver é viver na exploração infantil
Todos tratados como bicho
A maioria dos bebês achados no lixo
Falando de criança vamos parar pra pensar
Elas vão ajudar ou prejudicar
No mundo lá fora eu sei que é muita dor
Mas temos sentimentos, vamos expor o amor
E das pessoas guardar menos rancor
O mundo é cheio de cores
Pare de dar socos e passe a dar flores