Afinal, há oportunidade na crise?

Ivana Bernardes

A economista Ivana Bernardes é diretora na Vocatto – Centro de Desenvolvimento Empresarial e atua de forma Voluntária na Fundação Projeto Pescar

Dizer que a crise é oportunidade já virou “lugar comum”, mas é fato que, para alguns, ela pode, facilmente, ser encarada como tal: refiro-me àqueles que enfrentam a crise suficientemente capitalizados para usufruir das “barganhas” que surgem.

No entanto, não é este o tipo de oportunidade que gostaria de destacar. O que considero relevante é lembrar que a crise exige mudança de atitude. Trata-se de um imperativo, em crise, não há como continuar fazendo o mesmo da mesma maneira, pois ela chegará a todos; de formas e em intensidades diferentes, mas chegará.

É desta mudança obrigatória que pode surgir o melhor e mais promissor tipo de oportunidade. As empresas que aproveitarem para promover ajustes e inovações bem estruturadas, corrigir os rumos estratégicos e eliminar desperdícios, certamente sairão da crise como muitos ganhos e estarão mais preparadas para enfrentar o futuro. Esta é outra questão importante: os ciclos acontecem, e as crises geralmente são previsíveis, então, quanto melhores forem as metodologias de gestão e controle das empresas empresas, mais ágil será a sua reação aos primeiros sinais de mudança de cenário, tanto interno quanto externo.

Em relação às pessoas, não é diferente. Muitos profissionais tendem à acomodação, seja por medo do novo ou por falta de incentivo à mudança, não são raros os casos de pessoas que sustentam uma postura profissional pouco inovadora e por vezes nada recompensadora. Pois bem, com a crise, provavelmente todos serão “empurrados” a um novo modelo de ação e, novamente, quem souber aproveitar de forma estruturada e planejada este momento, estará em melhores condições ao final do período. É preciso estar preparado para aproveitar as oportunidades, por isso, em tempos de crise, corte os custos que não impactarão o seu futuro. Investimentos que possam melhorar a performance de sua empresa ou a sua performance profissional devem ser mantidos, priorize o longo prazo e abra mão dos supérfluos do presente para garantir o essencial no futuro.26-01-2016-Jornal-do-Comércio-Artigo-Ivana