Vai de Transatlântico ou de Lancha Social?

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Ézio Rezende

Uma das melhores analogias que eu já ouvi sobre o Estado e as organizações da sociedade civil foi em Brasília.  Estava na ocasião levando uma proposta para alavancar a formação socioprofissionalizante dos jovens que estão em situação de risco social em nosso país.

Na reunião, fui questionado sobre a diferença entre Estado e as Instituições sociais. Conforme um integrante do quadro técnico do Ministério em questão, o Estado é uma espécie de Transatlântico e as instituições são uma Lancha daquelas muito velozes.

No transatlântico, tudo é mais lento, burocrático, difícil de manobrar e em muitos casos distante das necessidades locais. Já as entidades sociais desenvolveram tecnologias com a comunidade, conseguem com muita agilidade corrigir o rumo, gerenciar com mais eficiência os recursos, multiplicar boas práticas, contar com o voluntariado, formar parcerias e trabalhar em rede, mesmo quando a maré está muito baixa.

O Transatlântico seguiu a sua viagem e não nos deu retorno até hoje. Poderia dedicar muitas linhas sobre o papel do Estado, mas como estou na categoria das Lanchas seguirei minha natureza mais assertiva.

A sociedade brasileira tem um mecanismo para alavancar as inúmeras Lanchas Sociais que desenvolvem trabalhos heroicos e fundamentais em todos os cantos do Brasil. Trata-se da renúncia fiscal por meio do Fundo da Criança e do Adolescente e do Fundo da Pessoa Idosa.

As pessoas físicas podem, em vez de encaminhar para o Transatlântico 6% do seu imposto e as pessoas jurídicas 1%, destinar para as Instituições credenciadas e assim potencializar a escala de abrangência destas tecnologias sociais.

Somente no Estado do Rio Grande do Sul se estima que R$ 370 milhões poderiam ser destinados diretamente para alavancar os projetos sociais, mas menos de 6% deste montante tem ficado por aqui. No site funcriancapoa.procempa.com.br  tem todas as informações para as doações.

É fácil. Com esta destinação mais crianças, adolescentes e idosos terão acesso à saúde, educação, cultura, alimentação, desenvolvimento socioprofissionalizante…

Vai continuar apostando todas as fichas no Transatlântico ou também vai de Lancha Social neste ano?

Ézio Rezende
Superintendente da Fundação Projeto Pescar